Conforme avançam as obras de recuperação da BR 116 em Nova Petrópolis, tanto em direção à Picada Café, como em direção à Caxias do Sul, surgem diversos questionamentos sobre a eficiência e rapidez das obras, bem como a implementação de estratégias para que não se tenha problemas futuros.
Recentemente, o Engenheiro Civil Luiz Cândido Kehl, lançou uma proposta. A título de curiosidade, ele enviou nas redes sociais um mapa, onde aparece um projeto de túnel na rodovia. A obra, conforme ele, impactaria positivamente em longo prazo, visto que a maior parte das obras que vem sendo feita desde junho de 2023 ocorre na “volta do morro”, compreendida entre os quilômetros 177 e 181. “O túnel cortaria o morro e deixaria de fora essa parte da rodovia onde só tivemos problemas de desbarrancamentos, tanto em junho e novembro de 2023, quanto em maio de 2024” disse. Conforme apurado pelo JNP, foram realizadas cinco licitações de junho/23, quatro de novembro/23 e mais cinco de maio/24, totalizando 14 licitações, a maior parte delas envolvendo o trecho de quatro quilômetros.
Ainda conforme Luiz, a entrada do túnel se daria no local onde houve o primeiro desbarrancamento, em junho de 2023 (Km 181), e sairia na curva próximo à antiga Banca das Gurias (Km 177). A curiosidade lançada por ele, que teria obviamente um custo elevado, foi mostrada pelo mesmo para o ministro Renan Filho, após a inauguração da ponte sobre o Rio Caí, em dezembro do ano passado.
Plantas para evitar a erosão
Kehl também apresentou à reportagem um documento do próprio DNIT, que fala do “Tratamento ambiental de taludes e encostas por intermédio de dispositivos de controle de processos erosivos”, sendo portanto uma norma aplicável pela própria entidade. Numa das obras realizadas, no local do primeiro desmoronamento, foi inclusive usada uma das maneiras, com a “Técnica de solo grampeado verde e biomantas antierosivas”, onde o local foi revegetado e hoje está isento de focos erosivos.
O documento ainda cita o uso de outras plantas, que plantadas no entorno das obras após o seu término, previnem erosões futuras. “Este tratamento ambiental poderá ser efetivado através da bioengenharia, que associa o plantio de espécies vegetais do gênero Bambusa (bambú), Cymbopogon, Citratus (capim limão), Capim Vetiver, com a implantação de dispositivos especiais de controle do processo erosivo, tais como: - diques de Bambú; septos de rip-rap de solo vegetativo ou solo cimento; septos de pneus usados, pela construção de bacias de siltagem, pela aplicação de mantas ou telas vegetais biodegradáveis ou retentores de sedimentos, com ou não o reforço de telas metálicas ou plásticas grampeadas no solo”.
Luiz lembra do capim Vetiver, que tem raízes profundas e inibe futuras erosões. “Na obra do Km 177, feita em 2016, poderia ter sido usada alguma das alternativas, tanto o Vetiver ou outra planta natural e aplicação das biomantas anti-erosivas; como não foi feito, temos no mesmo local um novo problema, e terá de ser feita ali uma nova obra, que vai aumentar o tempo que os semáforos precisam ficar” disse.
Tanto a implementação do túnel, quanto o uso de estratégias usando as plantas como complemento às obras, são reflexões do engenheiro, servindo como sugestões e não possuindo caráter imperativo sobre as decisões tomadas no âmbito do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transaportes.